Consumidores de baixa renda são maioria na internet

Brasileiros de baixa renda estão comprando mais pela Internet com cartão de crédito. Uma pesquisa divulgada em São Paulo revela que o comércio eletrônico tem mais consumidores nas classes C, D e E do que nos grupos mais ricos.

Segundo o levantamento, o número de famílias de classe baixa poderia ser ainda maior se os internautas confiassem mais nas vendas pela rede mundial de computadores.
Para o corretor de seguros Thiago Silva, Internet não é só um mundo virtual; afinal, o celular dele saiu por ali. E não foi só isso que ele comprou pela rede: “Já comprei uma máquina fotográfica digital, um monitor, jogos…”, enumera.

Thiago é o exemplo de um fenômeno recente: hoje, 51% das pessoas que fazem compras pela internet são das classes C, D e E. É o que revela uma pesquisa feita em São Paulo.

“Um dos motivos é a expansão do crédito: 67% dos cartões de crédito estão na mão das classes C, D e E, fazendo surgir um mercado potencial nunca visto”, explica o coordenador da pesquisa, Renato Meirelles.

As lan houses – casas onde se paga pra usar um computador – ajudaram a diminuir a distância entre as comunidades mais pobres e a Internet. Agora, 62% dos domicílios que têm Internet são das classes econômicas mais baixas.

As classes C, D e E poderiam consumir ainda mais pela Internet. Muita gente já tem as ferramentas pra isso – computador, acesso à rede e cartão de crédito – , mas ainda não confia muito nesse jeito de fazer compras. A pesquisa identificou que esses Internautas têm medo de usar o número do cartão de crédito, de pagar e não receber o produto e de não conseguir trocar, se for preciso.

O segurança João Carlos usa sempre a Internet, mas nunca comprou nada. “Minha preocupação é que pessoas de má fé possam ter acesso aos meus dados e clonar meu cartão”, justifica.

O levantamento também mostra que esses internautas têm dificuldade com os idiomas e os termos técnicos de informática e navegação. Por isso, o coordenador da pesquisa acha que as empresas que anunciam e vendem pela Internet terão que se adaptar ao novo público. “O mercado de baixa renda tem um caminho sem volta. Hoje, para cada criança das classes A e B, eu tenho 10 crianças das classes D e E. Ou seja: não dá para pensar no futuro sem olhar para o mercado de baixa renda, e as empresas que são líderes de mercado estão olhando”, afirma Meirelles.

Segundo a pesquisa, entre os internautas de baixa renda, 20% ficam pelo menos dez horas por semana na Internet

Fonte: JornaHoje

Rogerio Gomes

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